sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Última Postagem


Finalmente estou livre. Consegui minha liberdade, apesar de condicional. Já estou em casa!

Mas o tratamento continua. Ainda tenho que passar pela avaliação do cardiologista e do infectologista e, com certeza, existirão restrições e mudanças no estilo de vida - mais esportes, menos gordura e sedentarismo.

Durante os 43 dias em que permaneci internado, houve momentos em que quase perdi a fé numa cura sem cirurgia. Mas exatamente nestes momentos, pude contar com o apoio dos amigos. Minha familia também sempre esteve próxima, mesmo vivendo a 500 km de distância.

Daqui a pouco volto ao trabalho, mas agora com um foco diferente, uma nova forma de fazer e conduzir as coisas.

Obrigado a todos que rezaram pelo meu restabelecimento. Que Deus os envolva em muita paz e saúde.

Agora, como dito no início dessas aventura, o blog encerra suas atividades.


Bye, bye.....


quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Liberdade....talvez....


Hoje fiz o que considero o último exame de controle e acredito que devo ser liberado antes do final do dia. A ansiedade é grande e já estamos com tudo preparado, basta haver a alta da médica que eu vou voando para casa.

O eco-cardiograma indicou que a vegetação ainda tem 6mm mas é praticamente estéril, o que elimina a possibilidade de novas infecções. Além disso, também foi considerado muito improvável que ela se desprenda da válvula e caia na corrente sanguínea. Tudo de bom.

Daqui a 1 mes devo retornar para nova avaliação e enquanto isso devo manter o tratamento em casa. Mas como já disse, ainda aguardo a definição da médica para ser liberado do hospital.



*-*-*-*-*


O ruim é que eu já podia ter sido liberado ontem. Graças à desorganização, falta de controle e omissão de algumas pessoas do corpo de enfermagem, a marcação do exame que "deveria" ter sido feita desde a semana passada foi esquecida. No início da tarde a médica já achou estranho que eu não tivesse realizado o procedimento até aquele momento. Por volta das 15:00h eu tive que buscar informações pois ninguém dizia nada sobre o assunto. Descobri que, graças a uma série de erros e esquecimentos, o exame foi adiado para hoje.



O pior é que não havia um entendimento claro sobre a continuidade das medicações. Eu iria continuar com os comprimidos e a injeção de anticoagulante, mas não receberia mais o antibiótico via intravenosa. Mesmo assim, "como precaução" o escalpo não seria retirado.

Não fazia sentido: se não há necessidade da principal medicação, por que continuar com as demais e por que continuar com o escalpo? Depois de alguma discussão, consegui me ver livre deste último e o exame foi remarcado para hoje.

Recomendação útil: seja você paciente ou acompanhante, cobre sempre o cumprimento dos horários, seja firme com as enfermeiras e reclame sempre que sentir que há descontrole. Sua recuperação, se bem sucedida, pode ser adiada se você não ficar de olho. Acredite, eu sei o que falo.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Coisa de doido


Ontem o negócio ficou "interessante" aqui no Hospital.

Faltou energia num determinado período da manhã e, justamente neste tempo, alguns pacientes resolveram ter crises em que havia a necessidade de equipamentos para suporte. Um deles, que estava na minha ala, passou realmente muito mal e envolveu boa parte da equipe.

Nesses momentos eu vejo realmente todos de branco. Uma correria meio desordenada, uma pressa velada, ações rápidas e eficientes realizadas quase que de forma imperceptível. Mas nessas horas também vejo a desordem, o caos que reina em um hospital: o mesmo medicamento me foi oferecido duas vezes por enfermeiras diferentes.

Até no meu ramo ocorreram problemas. Na sexta a rede wireless parou de funcionar e ninguém percebeu. A sorte é que encontrei com um analista da TI e o problema foi resolvido de forma mais ou menos rápida.

Mas se não fossem estes momentos eu já tinha ficado igual a este cara da foto. (rsrsrs). Estamos na reta final, falta muito pouco para ganhar o mundo de novo. A previsão dos médicos é que eu tenha alta dia 24/01.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Quando a gente está internado em um hospital, os dias passam devagar, quase sempre arrastados e sem muitas novidades. Você acaba enjoando de ficar olhando sempre para as mesmas paredes enquanto o mundo corre célere lá fora.

Mas alguns dias são piores que outros, bem piores.

Hoje mais um paciente da minha ala faleceu. Apesar dela já estar em estado terminal, a dor do marido e dos amigos foi tão grande e tão transparente que contaminou até mesmo às enfermeiras. Você percebe então que, no fundo, mesmo que a morte seja inevitável (o que será para todos nós), o ser humano se agarra a cada fio de vida e de esperança. É como se, ao nos agarrarmos nessa vontade de viver, realmente pudéssemos prolongar a existência indefinidamente.


Mas nem tudo são tristezas. Em breve estarei fora daqui, tocando a vida com saúde (e cuidando muito melhor dela). A diferença no meu visual é surpreendente - para melhor é claro (se é que tem jeito...).



Agora é esperar. Daqui a uma semana estarei em casa.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Saudade da comida


Êta saudade de coisas simples como um x-egg-burguer-baicon-salada, um bife de picanha bem gorduroso e ao ponto, uma fatia gorda de queijo Minas com goiabada cascão, uma porção de salaminho fatiado, uma porção de pastel com caldo de cana, um bocado de torresmo, um pote de caldo de feijão com bastante pimenta e cebolinha, frango ao molho pardo, costela de porco na grelha, costela de boi no bafo, joelho de porco ao molho, pizza portuguesa, madioca frita, uma cumbuca de péla égua, um prato de jiló recheado com baicon e presunto, espaguete à bolonhesa, feijão tropeirao com bastante carne seca, uma loira bem gelada e uma garrafa de vinho do porto. Só isso.

A comida do hospital é boa mas depois de 30 dias almoçando e jantando o mesmo cardápio com pequenas variações, é para deixar qualquer um meio desesperado.


Mas faltam somente poucos dias para terminar o estágio aqui no hospital.

Hoje foi um dia de fortes emoções: uma paciente da mesma ala que eu, teve uma parada cardíaca e a equipe de enfermagem se mobilizou toda para reanimá-la. Conseguiram restabelecer o funcionamento cardio-respiratório dela e agora estão monitorando o coração com equipamentos.

Fora isso, tudo na mesma....

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Tudo calmo

As coisas estão caminhando perfeitamente bem. Hoje foi retirado um dos anti-bióticos que eu estava tomando pois ele provoca insuficiência renal e, diante do meu quadro geral, não há necessidade de correr mais este risco.

Ainda tenho alguma coceira em função da alergia mas agora é muito pouco. Minha pele também já voltou ao normal.

Como não tenho restrições de locomoção, passo os dias lendo, jogando PS2, navegando na Internet e tirando fotografias.

Esta última atividade inclusive me rendeu uma bronca de um segurança. Eu estava sem nenhuma atadura (coisa rara) e fotografando um pequeno lago artificial que existe no hospital. O segurança interpretou que eu não era paciente e, depois de me dizer que fotografar no hospital era terminantemente proibido me interpelou sobre como eu havia chegado ali. Quando expliquei que estava "hospedado" (ou internado), ele ficou mais calmo, mas mesmo assim com uma cara muito amarrada.

O interessante é que não existe nenhum aviso e nem mesmo os médicos e enfermeiras disseram saber sobre tal proibição. Enquanto a "lei" não se confirma, continuo tirando fotos. Segue um exemplo abaixo:





sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

A luz no fim do tunel


Para o exame eu estava preparado, mas para o jejum....

Minha última refeição foi às 21:00h de quarta-feira e o exame foi realizado às 14:30h de quinta. Difícil mesmo foi ficar sem café, sem almoço e sem água durante todo este período. Mas tirando isso, correu tudo bem e hoje os médicos me deram notícias boas e nem tão boas.

As notícias boas: o tratamento foi eficaz, houve redução no tamanho da vegetação e esta ficou estéril, ou seja, as bactérias morreram e não oferecem mais risco ao organismo. Ficarei com uma cicatriz na válvula que não afetará em nada minha vida, pelo menos nos próximos 10 ou 15 anos.

A notícias não tão boas: Para garantir a cicatrização definitiva terei que permanecer no hospital por mais 15 dias seguindo o mesmo ciclo de medicação.
Vamos em frente então.


Durante o exame, você fica desacordado sob efeito de anestesia. E quando tudo termina, você fica meio "grogue", meio tonto por um período.

Fiquei sabendo que um determinado paciente fez este exame acompanhado pela esposa. Correu tudo bem mas durante o período de passagem do efeito da anestesia ele começou a contar detalhes sobre sua vida extraconjugal. Imagine a cena: médicos, enfermeiros e a esposa ouvindo o paciente falar sobre "as virgens do paraíso" e tudo o que ele havia feito com elas.

A médica teve que estapear o indivíduo para ele cair na real mais rápido. Mesmo assim o estrago já estava feito.

Cuidado amigos! Quando forem fazer qualquer exame que envolva anestesia, tenham certeza de que o conjuge não esteja presente na sala. (rsrsrsrsrs)




quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

O grande dia


Amanhã é o grande dia! O eco-cardiograma trans-esofágico (quero ver falar 3 vezes rápido) está marcado para ser realizado à tarde. Ainda não sei o horário certo mas terei que ficar em jejum boa parte do dia, sem água inclusive.

Se tudo der certo, na sexta-feira já teremos o laudo médico. Como já disse antes existem 3 opções: receber alta, continuar o tratamento clínico ou cirurgia. Claro que estou torcendo pela primeira opção. Mas me coloquei nas mãos de Deus agora.

Assim que tiver condições eu mando novas notícias através deste humilde Pasquim.

Estamos todos otimistas: a evolução do tratamento foi muito boa (além das expectativas dos médicos), consegui recuperar 2 dos 5 quilos que eu havia perdido, a disposição geral está em 100%.




sábado, 3 de janeiro de 2009

Uma pedra no caminho


Nesta semana comecei a apresentar alergia ao antibiótico. Hoje estou com o corpo todo manchado e coçando bastante em alguns locais. Diante disso, foi acrescentado um anti-alérgico à lista de medicamentos que tenho que tomar.

A grande preocupação da equipe médica é que, se o anti-alérgico não fizer efeito, o antibiótico terá que ser trocado e não há como prever os efeitos do novo medicamento.

Como dizia um grande amigo: o pior não tem limite....

Mas tirando isso, o resto está caminhando muito bem. Já consigo fazer caminhadas mais longas sem sentir esgotamento e o apetite voltou com vontade.

O próximo eco-cardiograma foi marcado para a próxima quinta-feira e através dele os médicos irão decidir entre a continuidade do tratamento clínico, minha liberação (alta) ou pela cirurgia.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Feliz Ano Novo


Viva 2009.

Como sempre, prometemos fazer no novo ano uma série de coisas que não fizemos no ano anterior. No fundo, para a maioria das pessoas, é um eterno se enganar.

Eu também me incluo neste grupo, mas somente em parte. Muito do que planejei para 2008 eu efetivamente realizei. Fiz um intercâmbio internacional, assumi um grande desafio profissional e consegui atender a vários anseios de minha familia.

Mas como estabelece a lei da troca equivalente, tudo tem um preço, mas valeu a pena. Além disso, fiz grandes amizades e percebi que, mesmo com a distância, os antigos amigos continuam presentes.

Que venha 2009 e junto com ele novos sonhos, projetos e responsabilidades. Estamos aí para o que der e vier - firme e forte igual prego no angú.

Em relação ao tratamento, continuo tomando antibióticos a cada 6 horas, uma injeção de anti-coagulante (será que tem hífem?) por dia e trocando o escalpo a cada 2 dias. Os antibióticos estão me curando mas também estão produzindo efeitos colaterais - a cada troca fica mais difícil localizar uma veia capaz de receber o medicamento.


Mas 2009 vem aí....e que ele seja bão dimais sô.


segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Família


"Durante o dia, o hospital é um labirinto de corredores angulosos, com um borrão de branco fluorescente pairando sobre nossas cabeças" - Khaled Hosseini - Esta é uma excelente definição do ambiente de um grande hospital. Durante estes 20 dias, já conheci quase todas as alas e existem algumas em que realmente não me sinto muito a vontade (a unidade coronariana, por exemplo).

Como já citei anteriormente, os dias passam arrastados e as novidades, na grande maioria, referem-se à entrada ou saída de pacientes ou a algum caso contado pelas enfermeiras. Hoje em especial houve uma movimentação grande com a liberação de quartos que estavam com dois pacientes cada. Camas e cadeiras nos corredores, limpeza geral dos quartos, retirada de roupas de cama, uma grande confusão organizada.

Pois é, um hospital funciona assim: uma grande confusão organizada de uma forma que a gente leva um tempo para compreender (quando consegue!). Mas ela está lá, presente, implacável.

Na definição geral sou o Homem Bomba, aquele que não aparenta nenhum perigo mas que pode gerar um grande tumulto a qualquer momento. Assim, minha familia tem se desdobrado para manter sempre alguém comigo. Além da Andréa, minha mãe e irmã se deslocaram de BH para ficar comigo um final de semana cada.

Como meu quadro tem se mantido estável, resolvi falar um pouco sobre meus acompanhantes. Alguém já viu a mãe roncando estrondosamente no meio da madrugada? Alguém já viu a irmã babando num sofá no meio da tarde? É surreal! É inexplicável a vontade (sempre contida, claro) de cair na gargalhada. Naturalmente, eu tirei algumas fotos e gravei alguns pequenos vídeos, mas para minha própria segurança, isso ficará guardado a setecentas chaves.

Mas tenho que reconhecer o esforço de todos. Não só pelo fato de terem se deslocado de BH para Vitória, mas também por terem me aguentado durante três dias. Mas família é isso e eu posso me considerar afortunado.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

O coração

Ultimamente os dias têm passado de forma arrastada. Apesar de poder caminhar pelo hospital, estou terminantemente proibido de entrar em contato com outros pacientes.

Tenho lido muito, dormido muito, assistido televisão e filmes no notebook, tirado algumas fotos. Mesmo assim, tem dias que é difícil aguentar.

Na manhã do dia 25 um paciente que era meu vizinho de quarto teve complicações e faleceu. Tudo muito rapidamente. O clima na ala inteira ficou pesado. Sempre que passo pelo quarto vazio, é impossível não vizualizar a imagem daquele senhor ali deitado.

Tirando isso, tudo está caminhando bem. O tratamento tem surtido os efeitos esperados e regularmente passo por exames para confirmar este prognóstico. As caminhadas mais longas têm exigido um pouco mais de mim, mas é muito bom pegar um pouco de Sol e ar fresco.

Como é um coração

Para aqueles que nao tem idéia do que eu tenho, segue uma "foto" do meu coração onde aparece bem nítida a tal "vegetação de bactérias".

Terminologias: AE-Átrio Esquerdo / AD-Átrio Direito / VE-Ventrículo Esquerdo / VD-Ventrículo Direito



"Blog também é cultura"

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

É tempo de Natal


O Natal foi maravilhoso. Conseguimos reunir todo mundo e fizemos uma pequena celebração no quarto do hospital. Tudo muito simples, na base do pratinho de festa e copinho descartável, mas muito, muito alegre. As meninas riram muito das histórias que eu contei, Andréa preparou tudo com muito carinho e cuidado e eu tive a oportunidade de curtir um Natal especial.

Decidimos dar um bombom para cada enfermeira, cada médico, os acompanhantes de pacientes e até mesmo para as crianças que estão internadas. Passei a noite de Natal com os bolsos da bermuda cheios de Serenata de Amor entregando um para cada pessoa que encontrava. Foi a forma que achamos de partilhar e compartilhar alegria.

Lá pelas 21:00h, festa encerrada, Andréa e Mariana para casa. Natália resolveu ficar comigo no hospital. O que posso dizer: "amazing".

Espero de todo coração que todos os meus amigos também tenham tido um Natal especial, cada um do seu jeito.

Ao ver esta foto tomei uma decisão: tenho REALMENTE que cortar o cabelo. A barba está grande porque não posso fazê-la todo dia, já que tenho que evitar cortes e ferimentos a todo custo por causa dos anti-coagulante que tomo diariamente, mas o cabelo está passando da hora. Como vou ficar ainda um bom tempo aqui, talvez eu apele e raspe tudo logo de vez...poupa trabalho!

Se eu decidir isso, vocês serão os primeiros a me ver no novo visual punk.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Sufoco...

Hoje o dia não começou legal. Recebemos a notícia de que minha filha caçula estava passando muito mal com sinusite, bronquite e muita febre. Em segundos, a Andréa decidiu voltar a Guarapari para verificar de perto o que estava havendo e, se fosse o caso, trazer as meninas para Vitória. Isso complicaria um pouco os coisas pois a Andréa terá que se desdobrar entre a Mariana e eu.

Mas criança é um bicho muito esquisito. Quando Andréa chegou em Guarapari, Mariana não tinha mais nada...Vai entender! De qualquer forma, como amanhã é Natal, resolvemos então ficar todos juntos e elas virão para que possamos fazer uma celebração simples aqui no hospital. Depois a gente vê o que faz.

Só que por causa desse susto, minha médica identificou uma variação no rítmo cardíaco e tive que fazer um ecocardiograma às pressas. Mas está tudo bem, foi só a adrenalina do momento.


O bom dessa confusão é que pude apurar uma nova história dentro do hospital. Algumas médicas sempre dão perfumes de presente para as enfermeiras. Uma das enfermeiras então questionou (com toda autoridade): - Será que elas acham que a gente está fedendo? A gente é muito limpinha...

Esse assunto rendeu umas boas gargalhadas, o que me ajudou a aliviar um pouco a pressão e a preocupação com as meninas.

Mas a vida é isso aí, altos e baixos. Aprender a viver adequadamente cada momento é o que faz a diferença.

UM FELIZ NATAL A TODOS.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Conhecendo a vizinhaça

De um modo geral os sábados e domingos são especialmente tediosos. A gente se acostuma a sair de casa, passear pelo parque, ir para a praia, etc e quando tem que ficar imobilizado a sensação de aborrecimento aumenta significativamente.

Apesar de já ter sido liberado para dar passeios curtos na área externa do hospital, não há muito para se ver. O que faz a diferença no cenário é uma fonte, simples, pequena, mas que traz uma sensação muito boa paz e tranquilidade. Uso estes momentos para avaliar o que realmente vale a pena na vida.

Segundo os médicos, meu quadro clínico tem evoluído muito bem, há 10 dias não tenho mais febre, dores ou enjoo. O apetite tem melhorado, apesar da comida do hospital não ajudar muito.

Mas nem tudo são flores: ontem tive que fazer a troca do escalpo (tubo onde o soro é aplicado). Novamente passei por três tentativas, todas muito dolorosas. Nas duas primeiras, realizadas ainda no braço direito, o enfermeiro chegou à conclusão que não havia mais como perfurar o braço pela dificuldade de localizar uma veia apta. O jeito foi mudar de braço.

A felicidade é feita de pequenas coisas....

Na sexta feira recebi um presente que mudou completamente meu humor, e para melhor. Minhas filhas fizeram um quadro que me foi entregue com a recomendação de ficar sempre à vista para que eu lembrasse delas toda hora. E eu segui a recomendação à risca. Todo dia acordo e olho para o quadro e fico mais feliz. Afinal de contas é uma obra de arte sem igual.



quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Flores e Enfermeiras

Desculpem-me os leitores assíduos, mas ontem eu não tinha inspiração para escrever nada. Além disso, não ocorreu nada que merecesse nota, mesmo porque quase não saí do quarto.

Tem dias em que o ânimo da gente está mais baixo que cotação das ações na Bolsa. A foto ao lado mostra os objetos que mais vejo durante o dia, todo dia. Vocês hão de concordar que é muito chato ficar deitado, amarrado ao soro e assistindo Vale a Pena Ver de Novo e Malhação.

Mas hoje é um novo dia, de um novo tempo que começou....(Acho que estou vendo TV demais). Sem trocadilhos, hoje o dia foi especialmente interessante, não que só ocorressem coisas felizes, mas todas foram interessantes.


Primeiro: hoje completo 16 anos de casado. Nossa programação original incluía deixar as crianças com uma babá, jantar em um restaurante, blá, blá, blá.....Mas o destino não quis assim, então tivemos que nos adaptar. Tomamos café da manhã juntos, passeamos pelos corredores, conversamos mais sobre a vida e sobre o futuro e, como não poderia deixar de ser, brigamos um pouquinho também.

Estava tudo perfeito e para ficar ainda melhor eu encomendei um bouquet de rosas brancas e vermelhas. O detalhe (sempre os detalhes) que passou despercebido é que o hospital não permite a entrada de flores e bichos de pelúcia.

As flores ficaram na recepção e o máximo que conseguimos fazer foi bater fotos. Mesmo assim a Andréa ficou muito feliz. E isso é o que importa.

Segundo: hoje tive que trocar o tubo que permite a aplicação do soro. Toda vez que isso acontece eu sofro um bocado pois a agulha é revestida de um plástico áspero. Na primeira tentativa, a Astrogilda errou a veia e a agulha ficou dentro da musculatura do braço. Só de mexer os dedos já doía. Tivemos que tentar novamente. Desta vez a agulha entortou ao tentar furar minha pele. Sério!!! Nem ela acreditou. Depois de muita risada, lá fomos nós de novo. Finalmente deu tudo certo na terceira vez.


Por fim tive uma boa notícia: as enfermeiras do lado negro não querem mais cuidar de mim. Além disso, descobri que mesmo elas tem necessidades como nós. Com certeza existem pacientes que se sentem muito bem com elas.

Com a proximidade do Natal o coração da gente começa a amolecer, mas eu hei de perserverar e manter o equilíbrio da Força.
Já dizia o grande mestre Yoda-Zeppe: "perserverar deve você, lutar necessário será, mas vitória no final virá. Ter paciência deve você e na Força sempre crer. Supremo é o poder da Força".

Ou para aqueles que são poliglotas: "שמור על אמונה והכל יתקיים" ou "有信心,一切将举行"


terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Cada nome....

Hoje o editorial é sobre esportes. Existe um time de futebol em que vários maridos de enfermeiras jogam e cujo nome é levemente sugestivo: o Pinto Murcho.

Quem contou esta estória foi a menina que faz a limpeza dos quartos que estava reclamando do cansaço porque teve que ficar boa parte da noite acordada na festa do Pinto Murcho junto com o marido.

No dia seguinte ela estava limpando o teto e presumi que, em função de estar cansada do Pinto Murcho, ela estava tirando as teias de aranha por conta própria. Acredite se quiser....mas o time existe mesmo.

Tenho feito uma enquete entre as enfermeiras para saber que tem marido ou namorado no time do Pinto Murcho. A maioria não quer nem entrar nos detalhes e muitas não admitem nada.

Hoje fiz outro ecocardiograma e houve pequena redução na vegetação (que agora tem 1cm). Meu estado geral é bem melhor apesar de ainda me sentir muito cansado alguns dias. A continuar neste rítmo, ficarei de molho somente os 30 dias previstos e isso é muito bom.

Ainda estamos pensando como será o Natal longe das meninas e da familia, mas parece que haverá uma pequena festa feita pela equipe médica. Peru, farofa, panetone, rabanada, tender, arroz com passas, refrigereco, está tudo liberado (ou quase, depende da patroa...).


segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Lição de Vida

Neste final de semana tive a oportunidade de conversar com diversas pessoas que estão acompanhando pacientes. Percebe-se então que a doença iguala a todos a uma mesma condiçao de fragilidade e necessidades. Conversas triviais nos corredores tornam-se extremamente importantes para que todos possamos nos sentir amparados, elas afastam a solidam causada pelo isolamento dos quartos. São muitas histórias de vida, de sucessos, de fracassos e arrependimentos, de alegrias e tristezas. Assim é o dia a dia de quem está num hospital.

Mas uma dessas histórias em especial me deixou a pensar sobre a forma como encaro a vida. Num dos quartos próximos ao meu, há um casal de meia idade onde a senhora está em coma vegetativo sem nenhuma condição de recuperação. O marido a acompanha diariamente e auxilia nas tarefas que o hospital não realiza mais para este tipo de paciente. Ele é EXCEPCIONAL. Nunca vi ninguém encarar a vida de forma tão positiva, tão altiva, mesmo diante de adversidade e sacrifícios tão intensos.

"Não faz sentido eu abandonar agora a pessoa que amei a vida inteira. Ela precisa de mim e eu preciso dela. Afinal, amor é isso, não é?"

Ontem passei a tarde pensando a respeito dessa frase. A morte não é o grande mal, o abandono e o desprezo é que tornam a vida miserável.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Quem cuida de quem

Astrogilda e Dionésia - duas enfermeiras do bem que quase sempre me atendem juntas. Elas medem pressão, coletam sangue, me acompanham no eletro, nas radiografias. Muito competentes e atenciosas.

O único problema é que a Astrogilda é meio sadô e adora arrancar os esparadrapos de uma só vez, sem direito a choro. Ela também gosta de introduzir as agulhas intravenosas e acompanhar o sofrimento alheio.

A Dionésia é mais quieta mas não se furta a executar essas tarefas do mesmo jeito.

Não sei porque mas agora elas estão andando com umas touquinhas higiênicas. Acho que é para não serem confundidas com Angelina Jolie e Salma Hayek.

De um modo geral, o atendimento de todos é muito bom (tirando a turma do lado Negro da Força, é claro). O hospital realmente é uma referência em termos de organização, limpeza e estrutura física. No meu corredor tem até um desfribilador que eu pretendo nunca ter que usar.

Não recomendo a ninguém ficar hospitalizado, mas se não houver opção, aqui é bom.

Recentemente surgiu a questão de que talvez eu tenha que passar por uma cirurgia para troca da válvula mitral. Segundo o cirurgião, trata-se de procedimento simples (principalmente porque não é o coração dele!). Mas estou confiante que não será necessário e minha infectologista e meu cardiologista concordam que não é hora para se falar nisso.

Tenho que agradecer a todos os meus amigos que buscaram informações e fizeram contatos com outros médicos, até de outros estados. Os dados que tenho recebido têm sido essenciais para que eu possa manter a tranquilidade.

Valeu mesmo galera! Precisando de mim, estou à disposição depois que tiver alta.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Que a Força esteja com você

Logo na primeira noite já fui entubado (no bom sentido). Soro com antibiótico a cada 6 horas.

A turma de enfermagem aqui é bem variada, mas tem algumas que estão no lado negro da força. Tenho quase certeza que uma delas é um "darth-sith" disfarçado.

Na quarta e quinta a rotina seguiu da mesma forma, exames, troca de soro, noites sem dormir e mal estar em função do antibiótico. Mas a febre e os sintomas desapareceram.

Mas voltando ao assunto principal, as enfermeiras do lado bom da força precisam reavaliar o contingente. Na quinta pela manhã, uma dupla delas veio medir minha pressão e temperatura. No meio da operação olha a conversa de bêbado que rolou:

Enfermeira: E a diurese vai bem?
Eu: ....
Enfermeira: E aí, como vai a diurese?
Aí não teve jeito, e eu respondi: FIlha, não conheço nenhuma diurese.
A companheira dela começou a rir e ela ficou roxa de vergonha, ao mesmo tempo em que tentava me explicar de forma mais simples:
Enfermeira: Já fez xixi hoje?
Eu: Ahhh. Já sim senhora.

Em outra ocasião esta mesma enfermeira me perguntou se eu estava com o Escalpo. Passei a mão na cabeça e disse que sim. Ela não entendeu o gesto e perguntou de novo. Aí eu tive que pedir esclaecimentos aos universitários: que diabos é esse tal de escalpo? Escalpo é o tubo que fica dentro da veia para possibilitar a entrada dos antibióticos. Sim, eu estava com o escalpo e bem visível no braço.

Infelizmente para a pobre, estas histórias estão em todos os corredores do hospital agora.