sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Quando a gente está internado em um hospital, os dias passam devagar, quase sempre arrastados e sem muitas novidades. Você acaba enjoando de ficar olhando sempre para as mesmas paredes enquanto o mundo corre célere lá fora.

Mas alguns dias são piores que outros, bem piores.

Hoje mais um paciente da minha ala faleceu. Apesar dela já estar em estado terminal, a dor do marido e dos amigos foi tão grande e tão transparente que contaminou até mesmo às enfermeiras. Você percebe então que, no fundo, mesmo que a morte seja inevitável (o que será para todos nós), o ser humano se agarra a cada fio de vida e de esperança. É como se, ao nos agarrarmos nessa vontade de viver, realmente pudéssemos prolongar a existência indefinidamente.


Mas nem tudo são tristezas. Em breve estarei fora daqui, tocando a vida com saúde (e cuidando muito melhor dela). A diferença no meu visual é surpreendente - para melhor é claro (se é que tem jeito...).



Agora é esperar. Daqui a uma semana estarei em casa.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Saudade da comida


Êta saudade de coisas simples como um x-egg-burguer-baicon-salada, um bife de picanha bem gorduroso e ao ponto, uma fatia gorda de queijo Minas com goiabada cascão, uma porção de salaminho fatiado, uma porção de pastel com caldo de cana, um bocado de torresmo, um pote de caldo de feijão com bastante pimenta e cebolinha, frango ao molho pardo, costela de porco na grelha, costela de boi no bafo, joelho de porco ao molho, pizza portuguesa, madioca frita, uma cumbuca de péla égua, um prato de jiló recheado com baicon e presunto, espaguete à bolonhesa, feijão tropeirao com bastante carne seca, uma loira bem gelada e uma garrafa de vinho do porto. Só isso.

A comida do hospital é boa mas depois de 30 dias almoçando e jantando o mesmo cardápio com pequenas variações, é para deixar qualquer um meio desesperado.


Mas faltam somente poucos dias para terminar o estágio aqui no hospital.

Hoje foi um dia de fortes emoções: uma paciente da mesma ala que eu, teve uma parada cardíaca e a equipe de enfermagem se mobilizou toda para reanimá-la. Conseguiram restabelecer o funcionamento cardio-respiratório dela e agora estão monitorando o coração com equipamentos.

Fora isso, tudo na mesma....

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Tudo calmo

As coisas estão caminhando perfeitamente bem. Hoje foi retirado um dos anti-bióticos que eu estava tomando pois ele provoca insuficiência renal e, diante do meu quadro geral, não há necessidade de correr mais este risco.

Ainda tenho alguma coceira em função da alergia mas agora é muito pouco. Minha pele também já voltou ao normal.

Como não tenho restrições de locomoção, passo os dias lendo, jogando PS2, navegando na Internet e tirando fotografias.

Esta última atividade inclusive me rendeu uma bronca de um segurança. Eu estava sem nenhuma atadura (coisa rara) e fotografando um pequeno lago artificial que existe no hospital. O segurança interpretou que eu não era paciente e, depois de me dizer que fotografar no hospital era terminantemente proibido me interpelou sobre como eu havia chegado ali. Quando expliquei que estava "hospedado" (ou internado), ele ficou mais calmo, mas mesmo assim com uma cara muito amarrada.

O interessante é que não existe nenhum aviso e nem mesmo os médicos e enfermeiras disseram saber sobre tal proibição. Enquanto a "lei" não se confirma, continuo tirando fotos. Segue um exemplo abaixo:





sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

A luz no fim do tunel


Para o exame eu estava preparado, mas para o jejum....

Minha última refeição foi às 21:00h de quarta-feira e o exame foi realizado às 14:30h de quinta. Difícil mesmo foi ficar sem café, sem almoço e sem água durante todo este período. Mas tirando isso, correu tudo bem e hoje os médicos me deram notícias boas e nem tão boas.

As notícias boas: o tratamento foi eficaz, houve redução no tamanho da vegetação e esta ficou estéril, ou seja, as bactérias morreram e não oferecem mais risco ao organismo. Ficarei com uma cicatriz na válvula que não afetará em nada minha vida, pelo menos nos próximos 10 ou 15 anos.

A notícias não tão boas: Para garantir a cicatrização definitiva terei que permanecer no hospital por mais 15 dias seguindo o mesmo ciclo de medicação.
Vamos em frente então.


Durante o exame, você fica desacordado sob efeito de anestesia. E quando tudo termina, você fica meio "grogue", meio tonto por um período.

Fiquei sabendo que um determinado paciente fez este exame acompanhado pela esposa. Correu tudo bem mas durante o período de passagem do efeito da anestesia ele começou a contar detalhes sobre sua vida extraconjugal. Imagine a cena: médicos, enfermeiros e a esposa ouvindo o paciente falar sobre "as virgens do paraíso" e tudo o que ele havia feito com elas.

A médica teve que estapear o indivíduo para ele cair na real mais rápido. Mesmo assim o estrago já estava feito.

Cuidado amigos! Quando forem fazer qualquer exame que envolva anestesia, tenham certeza de que o conjuge não esteja presente na sala. (rsrsrsrsrs)




quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

O grande dia


Amanhã é o grande dia! O eco-cardiograma trans-esofágico (quero ver falar 3 vezes rápido) está marcado para ser realizado à tarde. Ainda não sei o horário certo mas terei que ficar em jejum boa parte do dia, sem água inclusive.

Se tudo der certo, na sexta-feira já teremos o laudo médico. Como já disse antes existem 3 opções: receber alta, continuar o tratamento clínico ou cirurgia. Claro que estou torcendo pela primeira opção. Mas me coloquei nas mãos de Deus agora.

Assim que tiver condições eu mando novas notícias através deste humilde Pasquim.

Estamos todos otimistas: a evolução do tratamento foi muito boa (além das expectativas dos médicos), consegui recuperar 2 dos 5 quilos que eu havia perdido, a disposição geral está em 100%.




sábado, 3 de janeiro de 2009

Uma pedra no caminho


Nesta semana comecei a apresentar alergia ao antibiótico. Hoje estou com o corpo todo manchado e coçando bastante em alguns locais. Diante disso, foi acrescentado um anti-alérgico à lista de medicamentos que tenho que tomar.

A grande preocupação da equipe médica é que, se o anti-alérgico não fizer efeito, o antibiótico terá que ser trocado e não há como prever os efeitos do novo medicamento.

Como dizia um grande amigo: o pior não tem limite....

Mas tirando isso, o resto está caminhando muito bem. Já consigo fazer caminhadas mais longas sem sentir esgotamento e o apetite voltou com vontade.

O próximo eco-cardiograma foi marcado para a próxima quinta-feira e através dele os médicos irão decidir entre a continuidade do tratamento clínico, minha liberação (alta) ou pela cirurgia.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Feliz Ano Novo


Viva 2009.

Como sempre, prometemos fazer no novo ano uma série de coisas que não fizemos no ano anterior. No fundo, para a maioria das pessoas, é um eterno se enganar.

Eu também me incluo neste grupo, mas somente em parte. Muito do que planejei para 2008 eu efetivamente realizei. Fiz um intercâmbio internacional, assumi um grande desafio profissional e consegui atender a vários anseios de minha familia.

Mas como estabelece a lei da troca equivalente, tudo tem um preço, mas valeu a pena. Além disso, fiz grandes amizades e percebi que, mesmo com a distância, os antigos amigos continuam presentes.

Que venha 2009 e junto com ele novos sonhos, projetos e responsabilidades. Estamos aí para o que der e vier - firme e forte igual prego no angú.

Em relação ao tratamento, continuo tomando antibióticos a cada 6 horas, uma injeção de anti-coagulante (será que tem hífem?) por dia e trocando o escalpo a cada 2 dias. Os antibióticos estão me curando mas também estão produzindo efeitos colaterais - a cada troca fica mais difícil localizar uma veia capaz de receber o medicamento.


Mas 2009 vem aí....e que ele seja bão dimais sô.