quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

O grande dia


Amanhã é o grande dia! O eco-cardiograma trans-esofágico (quero ver falar 3 vezes rápido) está marcado para ser realizado à tarde. Ainda não sei o horário certo mas terei que ficar em jejum boa parte do dia, sem água inclusive.

Se tudo der certo, na sexta-feira já teremos o laudo médico. Como já disse antes existem 3 opções: receber alta, continuar o tratamento clínico ou cirurgia. Claro que estou torcendo pela primeira opção. Mas me coloquei nas mãos de Deus agora.

Assim que tiver condições eu mando novas notícias através deste humilde Pasquim.

Estamos todos otimistas: a evolução do tratamento foi muito boa (além das expectativas dos médicos), consegui recuperar 2 dos 5 quilos que eu havia perdido, a disposição geral está em 100%.




sábado, 3 de janeiro de 2009

Uma pedra no caminho


Nesta semana comecei a apresentar alergia ao antibiótico. Hoje estou com o corpo todo manchado e coçando bastante em alguns locais. Diante disso, foi acrescentado um anti-alérgico à lista de medicamentos que tenho que tomar.

A grande preocupação da equipe médica é que, se o anti-alérgico não fizer efeito, o antibiótico terá que ser trocado e não há como prever os efeitos do novo medicamento.

Como dizia um grande amigo: o pior não tem limite....

Mas tirando isso, o resto está caminhando muito bem. Já consigo fazer caminhadas mais longas sem sentir esgotamento e o apetite voltou com vontade.

O próximo eco-cardiograma foi marcado para a próxima quinta-feira e através dele os médicos irão decidir entre a continuidade do tratamento clínico, minha liberação (alta) ou pela cirurgia.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Feliz Ano Novo


Viva 2009.

Como sempre, prometemos fazer no novo ano uma série de coisas que não fizemos no ano anterior. No fundo, para a maioria das pessoas, é um eterno se enganar.

Eu também me incluo neste grupo, mas somente em parte. Muito do que planejei para 2008 eu efetivamente realizei. Fiz um intercâmbio internacional, assumi um grande desafio profissional e consegui atender a vários anseios de minha familia.

Mas como estabelece a lei da troca equivalente, tudo tem um preço, mas valeu a pena. Além disso, fiz grandes amizades e percebi que, mesmo com a distância, os antigos amigos continuam presentes.

Que venha 2009 e junto com ele novos sonhos, projetos e responsabilidades. Estamos aí para o que der e vier - firme e forte igual prego no angú.

Em relação ao tratamento, continuo tomando antibióticos a cada 6 horas, uma injeção de anti-coagulante (será que tem hífem?) por dia e trocando o escalpo a cada 2 dias. Os antibióticos estão me curando mas também estão produzindo efeitos colaterais - a cada troca fica mais difícil localizar uma veia capaz de receber o medicamento.


Mas 2009 vem aí....e que ele seja bão dimais sô.


segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Família


"Durante o dia, o hospital é um labirinto de corredores angulosos, com um borrão de branco fluorescente pairando sobre nossas cabeças" - Khaled Hosseini - Esta é uma excelente definição do ambiente de um grande hospital. Durante estes 20 dias, já conheci quase todas as alas e existem algumas em que realmente não me sinto muito a vontade (a unidade coronariana, por exemplo).

Como já citei anteriormente, os dias passam arrastados e as novidades, na grande maioria, referem-se à entrada ou saída de pacientes ou a algum caso contado pelas enfermeiras. Hoje em especial houve uma movimentação grande com a liberação de quartos que estavam com dois pacientes cada. Camas e cadeiras nos corredores, limpeza geral dos quartos, retirada de roupas de cama, uma grande confusão organizada.

Pois é, um hospital funciona assim: uma grande confusão organizada de uma forma que a gente leva um tempo para compreender (quando consegue!). Mas ela está lá, presente, implacável.

Na definição geral sou o Homem Bomba, aquele que não aparenta nenhum perigo mas que pode gerar um grande tumulto a qualquer momento. Assim, minha familia tem se desdobrado para manter sempre alguém comigo. Além da Andréa, minha mãe e irmã se deslocaram de BH para ficar comigo um final de semana cada.

Como meu quadro tem se mantido estável, resolvi falar um pouco sobre meus acompanhantes. Alguém já viu a mãe roncando estrondosamente no meio da madrugada? Alguém já viu a irmã babando num sofá no meio da tarde? É surreal! É inexplicável a vontade (sempre contida, claro) de cair na gargalhada. Naturalmente, eu tirei algumas fotos e gravei alguns pequenos vídeos, mas para minha própria segurança, isso ficará guardado a setecentas chaves.

Mas tenho que reconhecer o esforço de todos. Não só pelo fato de terem se deslocado de BH para Vitória, mas também por terem me aguentado durante três dias. Mas família é isso e eu posso me considerar afortunado.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

O coração

Ultimamente os dias têm passado de forma arrastada. Apesar de poder caminhar pelo hospital, estou terminantemente proibido de entrar em contato com outros pacientes.

Tenho lido muito, dormido muito, assistido televisão e filmes no notebook, tirado algumas fotos. Mesmo assim, tem dias que é difícil aguentar.

Na manhã do dia 25 um paciente que era meu vizinho de quarto teve complicações e faleceu. Tudo muito rapidamente. O clima na ala inteira ficou pesado. Sempre que passo pelo quarto vazio, é impossível não vizualizar a imagem daquele senhor ali deitado.

Tirando isso, tudo está caminhando bem. O tratamento tem surtido os efeitos esperados e regularmente passo por exames para confirmar este prognóstico. As caminhadas mais longas têm exigido um pouco mais de mim, mas é muito bom pegar um pouco de Sol e ar fresco.

Como é um coração

Para aqueles que nao tem idéia do que eu tenho, segue uma "foto" do meu coração onde aparece bem nítida a tal "vegetação de bactérias".

Terminologias: AE-Átrio Esquerdo / AD-Átrio Direito / VE-Ventrículo Esquerdo / VD-Ventrículo Direito



"Blog também é cultura"

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

É tempo de Natal


O Natal foi maravilhoso. Conseguimos reunir todo mundo e fizemos uma pequena celebração no quarto do hospital. Tudo muito simples, na base do pratinho de festa e copinho descartável, mas muito, muito alegre. As meninas riram muito das histórias que eu contei, Andréa preparou tudo com muito carinho e cuidado e eu tive a oportunidade de curtir um Natal especial.

Decidimos dar um bombom para cada enfermeira, cada médico, os acompanhantes de pacientes e até mesmo para as crianças que estão internadas. Passei a noite de Natal com os bolsos da bermuda cheios de Serenata de Amor entregando um para cada pessoa que encontrava. Foi a forma que achamos de partilhar e compartilhar alegria.

Lá pelas 21:00h, festa encerrada, Andréa e Mariana para casa. Natália resolveu ficar comigo no hospital. O que posso dizer: "amazing".

Espero de todo coração que todos os meus amigos também tenham tido um Natal especial, cada um do seu jeito.

Ao ver esta foto tomei uma decisão: tenho REALMENTE que cortar o cabelo. A barba está grande porque não posso fazê-la todo dia, já que tenho que evitar cortes e ferimentos a todo custo por causa dos anti-coagulante que tomo diariamente, mas o cabelo está passando da hora. Como vou ficar ainda um bom tempo aqui, talvez eu apele e raspe tudo logo de vez...poupa trabalho!

Se eu decidir isso, vocês serão os primeiros a me ver no novo visual punk.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Sufoco...

Hoje o dia não começou legal. Recebemos a notícia de que minha filha caçula estava passando muito mal com sinusite, bronquite e muita febre. Em segundos, a Andréa decidiu voltar a Guarapari para verificar de perto o que estava havendo e, se fosse o caso, trazer as meninas para Vitória. Isso complicaria um pouco os coisas pois a Andréa terá que se desdobrar entre a Mariana e eu.

Mas criança é um bicho muito esquisito. Quando Andréa chegou em Guarapari, Mariana não tinha mais nada...Vai entender! De qualquer forma, como amanhã é Natal, resolvemos então ficar todos juntos e elas virão para que possamos fazer uma celebração simples aqui no hospital. Depois a gente vê o que faz.

Só que por causa desse susto, minha médica identificou uma variação no rítmo cardíaco e tive que fazer um ecocardiograma às pressas. Mas está tudo bem, foi só a adrenalina do momento.


O bom dessa confusão é que pude apurar uma nova história dentro do hospital. Algumas médicas sempre dão perfumes de presente para as enfermeiras. Uma das enfermeiras então questionou (com toda autoridade): - Será que elas acham que a gente está fedendo? A gente é muito limpinha...

Esse assunto rendeu umas boas gargalhadas, o que me ajudou a aliviar um pouco a pressão e a preocupação com as meninas.

Mas a vida é isso aí, altos e baixos. Aprender a viver adequadamente cada momento é o que faz a diferença.

UM FELIZ NATAL A TODOS.